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A VERDADE

 

 

A VERDADE É UMA MENTIRA NÃO DESMASCARADA. Não é de estranhar que alguém sob tortura se convença de que fez algo que nem pensou em fazer. Os navegadores do Velho Mundo a ele restringiam o universo. Depois do Mediterrâneo já se acreditou na existência de um precipício demarcatório, o começo do fim. O Planeta já repousou no dorso de um elefante que, ninguém se preocupou em explicar, sobre que sólido piso apoiava suas patas. Podemos nos deter a título de exemplo nas verdades decadentes do mundo antigo, dito civilizado, primeiro porque não temos informações bastantes à abordagem do tema sob o prisma das verdades tribais desmitificadas. Não devem ter sido poucas, certamente. Para os nossos indígenas, é verdade histórica que bastou um disparo acidental de arma de fogo para um branquelo virar deus do trovão. Os micróbios nem eram cogitados de sua existência há poucos séculos. O átomo já foi a menor partícula de matéria. Outra verdade, essa ainda cultivada com recato e monumental carga de fé, é a de que Deus criou a humanidade, que tem o dever de adorá-lo, a partir do homem e da mulher que moldou no Éden. Assim, segundo essa verdade, somos todos filhos de Adão e Eva, frutos de incesto e consanguinidade desde o princípio dos tempos. Não há referência bíblica a respeito de outro deus que tenha criado os povos com que os dois, mais os filhos, se relacionaram depois da expulsão do paraíso. Ao contrário, tem-se como verdadeira a existência de um único deus, onipotente, onipresente e onisciente, embora tenham acontecido e aconteçam coisas no nosso mundo que fica difícil acreditar nesses poderes todos se Deus poderia tê-las evitado e ignorou-as. Por duradouros séculos nem se cogitou de vozes e imagens viajarem sem esbarrões pelo espaço, muito menos que se pudesse ter memória e cálculos inteligentes armazenados numa pedra do tamanho da cabeça de um alfinete. A lua, até anteontem, era um astro estéril. Agora, perfurado seu solo com uma explosão, tem-se como nova verdade a existência de fontes de água. Deu na TV, nossa nova propagadora de verdades. Se os animais podem mudar de cor instantaneamente graças ao mimetismo, quero acreditar que outras verdades serão desmascaradas, poderemos nos tornar invisíveis, desmaterializar-nos, viajar a velocidades superiores a da luz, visitar corpos celestes assim como vamos daqui ao Japão, só que em menor tempo. Levantem-se, mentirosos. Rebelem-se. Façam revoluções. Há muitas verdades mentirosas por aí.              



Escrito por Jerônimo Jardim às 13h38
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Texto destinado ao site www.jeronimojardim.com

REGISTROS DE ATUALIZAÇÃO DO SITE

 

 

Cheguei a retomar a realização de shows, estimulado pela Clair, minha esposa, e pela minha amiga e produtora cultural Ângela Moreira Flach. Adoeci gravemente. Nos últimos dois anos conheci muitos médicos, farmácias e hospitais de Porto Alegre. As diversas doenças, decorrentes de prováveis efeitos colaterais dos remédios tomados contra as dores violentas decorrentes da artrite reumatóide, deixaram como sequela dificuldade para caminhar. Mais na horizontal do que de pé, ainda alimento esperanças, muito pela sacrificada dedicação da Clair, que não me permite desanimar, apesar das duas semanas em coma e das longas internações hospitalares em que ela, mal acomodada, me fez companhia por meses, todas as noites. Faço tratamentos. Quem sabe a cura virá na próxima esquina ?!

As mais recentes composições se encontram no novo CD de JULIANO BARRETO e no de RUI BIRIVA (2009), Valeu ter sobrevivido às doenças. Tive o privilégio de assistir o sucesso de lançamento esmerado desses trabalhos artísticos.

É preciso então, a título de atualização, acrescer as canções compostas para o disco de RUI BIRIVA: Pedindo cancha, de Jerônimo Jardim, Marco Barbosa e Rui Biriva; Atei carreira, de Jerônimo Jardim; Alemoa, de Jerônimo Jardim, Marco Barbosa e Rui Biriva; Bagual e só, de Jerônimo Jardim e Rui Biriva; e Rei do Vaneirão, de Erlon Péricles, Jerônimo Jardim e Rui Biriva,  e de JULIANO BARRETO, Cinzas, de Juliano Barreto, Lúciah Helena e Jerônimo Jardim (2009).  13.11.2009.  



Escrito por Jerônimo Jardim às 08h42
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DÚVIDAS IMENSURÁVEIS

 

 

Tenha se originado de um rasgo de inspiração ou tenha nascido de insônia ou de zelosa lapidação, a duradoura sentença criada por Shakespeare, “to be or not to be that's the question”, não vai além de consagrar a dúvida que não conseguimos zerar por mais que a tentemos traduzir e, ainda, reafirmar cada vez em que a meditar sobre ela nos debruçamos, a ínfima compreensão que temos da vida (e da morte), do mundo e seu sentido holístico. Continuamos a fracionar para apreender e aprender. Perdemo-nos quanto ao entendimento do tudo e do todo, do nada que, certamente, não existe, basta lembrar a letra da canção de Gilberto Gil e Buarque de Holanda que diz sempre bom lembrar que “um copo vazio está cheio de ar” e que o espaço sideral, entre os corpos que nele transitam, incluídos os fótons que nos trazem a luz de suas existências, é totalmente magnetizado, o que viabiliza a comunicação plena com as sondas já tão distantes que foram despachadas em busca de parentescos. Os gênios estão aí para desafiar, instigar, mesmo quando pensam ou escrevem com pressa, mesmo que só expressem novas dúvidas e fraquezas, talvez tementes de se finar sem a prestação de um último serviço. Falo agora de Saramago. No livro As Intermitências da Morte, a morte resolve interromper suas imprescindíveis funções de por término a vidas, cerne do enredo que gera atividades de contrabando de vivos para além das fronteiras do país atingido pela interrupção. Ninguém mais morre, o que gera o caos que sustenta a narrativa estapafúrdia, já que contém inverossimilhança insuperável. Não haveria como permanecer vivo quem perdesse o corpo, fosse em razão de esquartejamento, fosse por carbonização, num incêndio por exemplo. O próprio Saramago defende que a ficção, ainda quando se trate de realismo fantástico precisa parecer mais verossímil que a realidade. A realidade simplesmente é; não se compromete com coerência. Pois nesse deslize em suas convicções e aparente (?) descuido, deixou defeito narrativo, mas me levou a pensar na existência e inexistência dos corpos e melhor compreensão do que realmente não tem começo, nem fim: o ESPAÇO. Todos os corpos, vivos ou não, num estado químico ou em outro, são mensuráveis. O espaço que ocupavam antes de seu término ou transformação volta a ser preenchido pelo que respeitava seus contornos, medidas e peso: o ESPAÇO. Depois desta noite de insônia em que gastei horas, como a personagem Aureliano Buendia de Garcia Márquez em Cem anos de solidão para chegar a tão evidente resultado (Aureliano descobriu que a terra era redonda com séculos de atraso, imerso na mediocridade de seu povoado), cheguei a conclusão de que perdemos tempo quando procuramos nos corpos celestiais a explicação do que seja o infinito. Ele se explica desde aqui na compreensão do ESPAÇO. Alan Kardec, em sua doutrina, segundo ele informada por “espíritos superiores”, adota como prova da existência de Deus e do criacionismo, fundado apenas na Fé, a impossibilidade de, do nada, algo ser criado. Então, como explicar a origem do próprio Criador? Teria surgido do nada que nada poderia criar. Também, ainda que se exclua o criacionismo para explicação da origem do universo, de nada serve entender a mecânica do chamado big bang que teria fracionado corpo inicial em bilhões de bolas de fogo a se arrendondarem e distanciarem no infinito espaço. Quem pode garantir que essa expansão já não houve antes da contração e que esse contrair e expandir dos corpos siderais, esse formar e transmudar no caos, não passe de ensaio sinfônico em que é permitido errar enquanto não atingida a excelência, impulsionada por moto perpétuo, tocado por músicos independentes ou regido por divertido maestro que se compraz em surpreender e instigar?            



Escrito por Jerônimo Jardim às 15h29
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CONTRADIÇÕES DE CRENTE

 

 

Sei muito bem do que fala José Alencar quando refere efeitos colaterais decorrentes do tratamento da doença. A artrite reumatóide também exige a ingestão de medicamentos agressivos. As hospitalizações são traumáticas, dolorosas. É um admirável lutador, sem dúvida. Cada declaração sua me emociona. Todavia, a entrevista concedida no programa da Marília Gabriela, em que disse não temer a morte, que sua luta pela vida é questão de Fé, por ter sempre em mente a vontade de Deus que, com seu poder, não precisaria de nenhum câncer para decretar seu fim; que ele, José Alencar, não faz outra coisa senão cumprir a sua parte, colocou em relevo a contradição dos crentes quando se trata de vida e morte. Eu temo a dor, não temo a morte, embora não acredite em posterior vida de excelências em companhia da suprema autoridade universal. Mas não temer a morte não é o mesmo que me negar direito à vida. Acho que ficaria melhor e menos contraditório se José Alencar dissesse não temer a morte, mas amar a vida. No final das contas, tenho eu razões mais coerentes para me agarrar ao último sopro vital que me reste, uma vez que não tenho, como os crentes, qualquer promessa de paraíso depois do último suspiro.  E do que valeria fazer a sua parte se, em qualquer hipótese, a decisão sobre seu destino estaria a mercê da providência divina?            



Escrito por Jerônimo Jardim às 06h53
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