NOVA PUBLICAÇÃO
Publico novamente o texto sobre proteção e defesa de nossas riquezas, publicado neste DOMINGO, 08.6.2008, em ZH ARTIGOS (ZERO HORA).
GIGANTES CARENTES
Jerônimo Jardim
Desmataram, arrasaram o que possuíam; poluíram, deterioraram. Agora os gigantes carentes espicham olhos invejosos para os quintais dos novos ricos. Querem o “pulmão do planeta”; limpar com nossas árvores a sujeira de todos os dias. Estão com sede e fome; dentes e garras afiadas, treinadas para conquistas a título de patriotismo. Nós, o Brasil? Somos somente um gigante de gengivas; nem dentes de leite apontaram.
Não basta vontade de criar bloco continental. Não se sustentará, se não compartilharmos bem-estar com os pretendidos aliados, principalmente paraguaios e argentinos. A Argentina precisa de energia para o desenvolvimento. Não tem fontes naturais; não tem de onde tirá-la. Depende de importação. Empréstimo temporário é pouco ante o futuro. Os paraguaios carecem de recursos financeiros para aproveitá-la. Não temos escolha, se quisermos alianças sólidas. Teremos de rever o Tratado de Itaipu, permitir aos paraguaios a venda aos argentinos, por preço conveniente para eles, de parte da energia a nós transferida. Itaipu foi erro estratégico; risco para os que dependem da energia e para os que sofrem perigo de inundação. Mas está lá. Só nos resta aproveitá-la e defendê-la.
Quanto à Amazônia? Nossos vizinhos têm temores iguais. A floresta não estanca nas fronteiras. São aliados naturais. Mas não podemos esquecer que existem forças militares americanas na Colômbia. Uma coisa é bravatear contra invasão das FARC. E se ocorrer invasão pelos que as combatem? Vamos permitir?
A ameaça é real, podem estar certos. Se não quisermos perder território pátrio para os predadores, teremos que deslocar expressiva força militar para lá. Com a mobilização estaremos também enfrentando inimigos de trincheira e buscando soluções de sustento para os índios e pobres da região.
Devemos continuar pacíficos, não-intervencionistas, defensores intransigentes da autodeterminação dos povos. Mas não podemos dormir em berço esplêndido enquanto nos espreitam para assaltar, surrupiar as riquezas que até bem pouco tempo escondíamos no colchão.
Ainda que nos faltem os caninos da maturidade, temos que eriçar os pêlos, tentar convencer de que, além da retórica, temos meios de defender a soberania e a auto-suficiência conquistada.
Vale a declaração de que a Amazônia é nossa. Mas é pouco bravatear que ela tem dono. Somente discurso não funciona contra doutores em conquistas, argumentos falaciosos, eufemismos e artimanhas.
* Compositor
Escrito por Jerônimo Jardim às 19h26
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