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RÓTULOS Os rótulos são necessários. Servem, por exemplo, para identificar produtos nas prateleiras, esclarecer e facilitar o consumidor. Mas em certos casos, reduzem, limitam, geram distanciamento e preconceitos. Eu não consegui ouvir por longo tempo o gênero da música que chamamos de clássica ou erudita sem associá-lo a velórios, funerais e cemitérios. Era o tipo de música que tocava nas emissoras de rádio nos dias de finados nos meus tempos de criança. Perdi de ouvir e incorporar boa música à minha formação cultural. Também perdi de aprender melodias e harmonias dos Beatles, porque na adolescência me apaixonei pela música dos festivais nacionais, muito especiais, mas não a ponto de excluir os demais gêneros de música que convencionamos chamar de popular. Há muito para crer que a música dita hoje erudita era a popular do passado. Felizmente, mais tarde, percebi o equívoco que cometera. Comprei a coleção completa dos Beatles e sou assíduo freqüentador dos concertos da Orquestra da Ulbra. Mas, lá atrás, restou uma lacuna que nunca será preenchida.
Escrito por Jerônimo Jardim às 07h37
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