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FAMÍLIA E AMIGOS
Aproveito o espaço para agradecer a Clair meus filhos e amigos pelo carinho nas horas mais difíceis de doença.
Escrito por Jerônimo Jardim às 05h32
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EFEITOS COLATERAIS Foi a vez do coração. Exame clínico mensal de rotina do tratamento de artrite reumatóide que faço com o Dr. Mauro Keiserman revelou batimentos acelerados e descompassados. Por orientação dele, após sua ligação para o colega garantindo o atendimento de urgência, saí de imediato rumo ao consultório do Dr. Bernardo Sukienik para eletrocardiograma. Constatado flutter atrial e bloqueio do lado direito, ele me encaminhou, também na mesma hora, para o Dr. Diovanne Berleze, que providenciou internação no Hospital São Lucas da PUC pela Unimed, meu plano assistencial de diversos anos, ao qual só devo elogios até hoje. O Dr. Carlos Kalil, jovem médico cardiologista, conterrâneo de Bagé, pertencente à família de cardiologistas, como seu primo Renato Kalil, amigo de infância, se encarregou dos procedimentos para reversão do quadro caótico via ablação, que consiste na introdução de um catéter pela femural até o coração a fim de cauterizar a área crítica. Estou bem agora depois de uma noite de CTI. Os batimentos retornaram ao normal. Deverei manter repouso por trinta dias, fazer pouco exercício e não ingerir álcool. Cigarro, os médicos condenam sempre. O Hospital ganhou nota alta em todo o atendimento. Todavia, o médico que fez o exame de ecografia transesofágica, cujo nome faço questão de ignorar, não me sedou. Mandou suas assistentes me agarrarem os braços, abrirem minha boca e, com grande alegria estampada no rosto, falando abobrinhas com elas, borrifou solução doce na minha garganta e me enfiou guela abaixo um troço que me pareceu do tamanho de um celular. Passou como uma batata inteira na garganta. Não sei se na hora de colocar ou de retirar, quebrou a obturação de um dente, que cuspi num guardanapo posto para recolher baba. Pasmo, ao sair do exame, esbravejei. Ele se fechou em sua sala. Saí frustrado na cadeira de rodas de volta ao apartamento, humilhado, abatido diante de minha situação de paciente fragilizado pela doença. No futuro, somente pretendo lembrar desse fato como nota cômica. Enquanto estava sob o efeito da indignação, divulguei bastante o ocorrido no hospital. Todo o setor de enfermagem do oitavo andar ficou sabendo, bem como todos os médicos que carinhosamente me tiraram de mais essa. Com a bunda na cerca, vou me escapando. Mais uma vez, conto com o dedicado e meigo apoio da Clair, que me cerca de cuidados, advertências, delicadezas e frutas, que não consigo tragar, com ou sem casca, sem repugnância. Vou consertar a obturação quebrada. De internação em internação, de alta em alta, vamos em frente. Sábado tem kerb no Biriva. É a festa de aniversário da Priscila. Só agua pra mim, gente!
Escrito por Jerônimo Jardim às 12h45
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FILA DE IDOSOS NO SUPERMERCADO Aproveito uma das poucas vantagens de estar com sessenta e quatro anos. Entro na fila de idosos do supermercado. A moça da caixa, pouco antes de chegada a minha vez, atendeu um homem que aparentava não mais de quarenta anos. Não olhou para o resto da fila. Quando chegou minha oportunidade, ela disse que eu teria que esperar porque havia pessoas mais velhas na fila. Retruquei que, por gentileza, não pela ordem preferencial inovatoriamente estabelecida, permitiria a senhora, de uns setenta e poucos anos, passar à minha frente. Aleguei que a regra do supermercado era única, sem parágrafo estabelecendo preferência entre os idosos e que, a se considerar que existisse, deveria estar publicado com a regra principal, além de destacado empregado para conferir identidades e organizar o atendimento mediante tal critério: sessenta anos e dois meses; sessenta anos e três meses; assim por diante. Não é a primeira vez que desrespeitam meu direito de idoso na fila do supermercado. Em outra oportunidade, uma mulher, um pouco mais velha do que eu, me arredou a cotoveladas alegando preferência. Tive que apresentar identidade e ouvir de outras pessoas que poderia ser falsificada. Vou acabar traumatizado, carente de analista que me convença de que a negativa de atendimento privilegiado é uma dádiva. Por enquanto, apesar dos desrespeitos, não pretendo abrir mão do direito conquistado em função da senilidade.
Escrito por Jerônimo Jardim às 11h34
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