NOVA GRAMÁTICA
Sempre que começo um texto, temo ferir culposamente o idioma; ou, se princípios de direito criminal pudessem ser transpostos para o ofício da escrita, à falta de suficiente habilitação teórica, me converter em réu por agir com dolo eventual ao assumir o risco de lesar indiscriminadamente os vocábulos.
O medo cessa quando lembro frase do Veríssimo que diz, mais ou menos, que a gramática tem que apanhar para querer bem. Abrigo-me, soldado raso, na trincheira defensiva por ele erigida na condição de consagrado escritor, autoridade extra-oficial - palavra sem hífen, na reforma - investida de poder transformador da língua.
Por outro lado, também para meu conforto, existe o corretor automático de textos instalado no computador, que me socorre a cada investida aventureira. Viva a informática! Não que minha adesão tenha sido conformada e espontânea. Demorei a incluí-la em meu cotidiano. Mas dela sou hoje dependente, confesso e agradecido.
Alterações verdadeiramente radicais enfrentaram gerações anteriores. Viram-se obrigadas, por exemplo, a assimilar a grafia de farmácia e fotografia sem "p" e "h". Vale lembrar disso, para reprimir e acomodar rebeldias inúteis.
O negócio é tocar o texto em frente. Por enquanto, oferecer o pescoço aos carrascos. Em breve, quem labora no ofício não terá mais porque se preocupar com o patíbulo dos puristas. Logo estarão à venda novíssimos programas de correção. Bastará comprar e instalar.
Tenho dó é dos que enfrentarão concursos públicos agora. A nova grafia não poderá ser exigida até o final de 2012. Mas é possível que os candidatos se deparem com questões comparativas, sobre as próprias mudanças.
O povo em geral continuará a falar e escrever a língua viva das ruas; e os internautas a veicular suas prazerosas abreviaturas de encontros consonantais.
Escrito por Jerônimo Jardim às 11h33
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"GUERRA ATÉ O FIM"
O que é a "guerra até o fim" anunciada por Israel? Até o fim de um dos povos? Está visto que nunca acontecerá. Sempre sobrará ao menos um indivíduo com ódio, exilado em algum canto da Terra, planejando atos terroristas. Seria mais racional a criação do Estado Palestino e a internacionalização de Jerusalém. Mas onde mora a Razão? Assim, nesse clima de hostilidade obtusa, todos os votos de paz serão somente palavras cheias de mortal vazio.
Escrito por Jerônimo Jardim às 06h42
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