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Politicamente correto e analfabetismo cultural

 

 

É preciso bem mais do que aprender a ler e escrever para emergir do analfabetismo cultural. A capacidade de compreensão e contemplação estética dos textos se evadiu dos crânios. Ante a incompreensão de metáforas, compositores abandonam a plasticidade que consagrou Noel Rosa, Chico Buarque, Aldyr Blanc, Caetano, Vitor Martins e outros notáveis autores brasileiros. Permitem-se somente metáforas decodificadas, ou seja, execráveis expressões “batidas”, “lugares comuns”. Quase fomos executados, eu e outros jurados, na vez em que classificamos canção em que o intérprete, chicote em punho, cantava que “mulher é como redomão, maneador nas patas, pelego na cara”. Isso que, com trejeitos caricatos, o cantor/compositor tentava facilitar a compreensão irônica do texto. Instaurada a polêmica, as ofendidas “líderes feministas”, assim se intitulavam, somente se sentiram desagravadas quando tocou em rádio a canção que, em resposta, dizia que a rainha do lar merecia somente carinho, respeito e amor. O mais contundente manifesto gaúcho contra o machismo foi preterido pela letra que devolvia a mulher a seu sagrado reino. Não bastasse tamanha demonstração de indigência cultural, a cartilha do que seja “politicamente correto” está aí para nos ensinar formas hipócritas de adjetivar. “Tira esse bundão da minha cadeira, Seu Portador de Sobrepeso!”, é xingação menos ofensiva do que a que chama  gorducho de obeso?                          



Escrito por Jerônimo Jardim às 07h22
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BURRICE

 

 

Oportuna a crônica de Martha Medeiros em Zero Hora, ontem, sobre a dificuldade de apreensão de alegorias, no caso a que sustenta a trama de Saramago no genial ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA. Como pode alguém entender linearmente, como ofensa aos CEGOS, o tema da obra literária magistralmente levada à tela por Fernando Meirelles?      



Escrito por Jerônimo Jardim às 13h54
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ESCOLAS DE HORÁRIO INTEGRAL

 

 

 

Fiquei animado quanto ao presente e ao futuro de nossas crianças ao ler nos jornais que o Prefeito José Fogaça já está empenhado em sua gestão na implantação do sistema de horário integral, com quatro refeições diárias, nas escolas municipais do ensino fundamental. Se o Governo Federal, se o Governo Estadual não cumprem essa tarefa, que a cumpra o Município de Porto Alegre. Servirá de exemplo. Escrevi no curso deste ano várias pautas sobre a necessidade de retorno - com alguns ajustes, excluindo, por exemplo, o gigantismo das obras -, ao projeto original de Darcy Ribeiro, implementado em parte por Leonel Brizola, como solução para diversos problemas internos do País, inclusive os de segurança pública. Em curto prazo, teremos menos crianças a esmolar e delinqüir, pais menos preocupados, menos revoltados e gratos. No médio prazo, teremos jovens bem formados, preparados para o terceiro grau sem a humilhação de benefícios discriminadores. No longo prazo, teremos a redução da criminalidade, cidadãos mais aptos ao exercício de seus direitos e ao cumprimento de seus deveres da cidadania. Conseqüência? Mais segurança para todos, menos medo, menor necessidade de polícia, presídios e programas paternalistas que, infelizmente, hoje, não há como deixar de oferecer. Para a colheita de melhores resultados, se deveria agregar ao programa o aprendizado de profissões, a prática de esportes, a instalação de postos de saúde, a apresentação de eventos culturais e o oferecimento de atividades voltadas ao lazer, com participação comunitária e apoio da iniciativa privada. Isso envolveria o trabalho e parte do orçamento de diversas secretarias com visíveis resultados. Como dizia Darcy Ribeiro ao abordar a questão não pelo ângulo do interesse individual, mas pelo egoístico do interesse social, é bem mais barato e conveniente ao Estado investir na formação de crianças do que na construção de presídios.   



Escrito por Jerônimo Jardim às 08h13
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SEGALA, HOJE.

 

HOJE, 16.10.2008, ÀS 20 HORAS, NO TEATRO BRUNO KIEFER, NA CASA DE CULTURA MÁRIO QUINTANA, TEREMOS A OPORTUNIDADE DE VER NO PALCO UM DOS MAIS INSPIRADOS COMPOSITORES DO RIO GRANDE DO SUL. GENTILMENTE, ELE SEMPRE ME DIZ QUE O MEU TRABALHO LHE SERVIU DE MODELITO NO INÍCIO DA CARREIRA. DE MINHA PARTE, EU QUE ACHO A OBRA DELE ABSOLUTAMENTE ORIGINAL, DECLARO QUE SE HÁ ALGUÉM A RECEBER A INFLUÊNCIA DA OBRA DE ALGUÉM, ESSE ALGUÉM SOU EU, JÁ QUE SEMPRE SAIO DE SEUS SHOWS COM GANA DE CRIAR MELHORES CANÇÕES.  SUCESSO, SEGALA!     



Escrito por Jerônimo Jardim às 06h50
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ASSALTANTES RICOS

 

 

Continuo a afirmar que pobres marginalizados são autores da maioria dos assaltos com emprego de violência. O perfil predominante da população dos presídios comprova a afirmativa. Mas não excluo, nem poderia, a prática desse tipo de crime por criminosos oriundos de lares bem providos. Ontem, um amigo saía do escritório ao anoitecer. Portava uma pasta com documentos. Quando abria a porta do carro estacionado à frente do prédio foi abordado por dois jovens bem vestidos, que tripulavam um Corola. Segundo ele, pareciam garotos que transitam na Rua Padre Chagas. Criados sem limites, necessitados de dinheiro para drogas? Respostas a serem obtidas se forem presos. O carona desceu de arma em punho, palavras e gestos raivosos. Tomou carteira, pasta e todas as chaves, inclusive as do carro. Ainda que não esboçada qualquer reação, o jovem que permanecera no automóvel ordenava execução sem piedade. Nervoso, o que portava o revólver entrou no carro da vítima. Ao tentar ligá-lo, acionou inadvertidamente o comando de abertura do portão da garagem. Momento não desperdiçado. Fuga para o pátio. Um mandava atirar, enquanto o outro continuava a proferir ameaças. Fugiram nos carros. Registros policiais. Troca de fechaduras. Telefonemas para seguradora, bancos, administradoras de cartões. Tomara que, por gentileza que não lhes é própria, quitem as faturas pendentes de pagamento.         



Escrito por Jerônimo Jardim às 07h33
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CRISE FINANCEIRA

 

 

Os Países não deixariam sucumbir o cassino financeiro alojado nas entranhas do capitalismo. Estabelecerão limites, criarão normas de controle, para que, no futuro, não sejam mais necessárias intervenções estatizantes, ainda que temporárias, que comprometam os princípios que regem os movimentos especulativos do mercado de ações. Porta arrombada, tranca de ferro, reza o antigo dístico popular. Mas tenham certeza de que, nessa chamada crise de confiança, milhões de neófitos apostadores perderam suas economias, transferidas em uma semana aos cofres de experientes oportunistas e boateiros, donos do jogo.         



Escrito por Jerônimo Jardim às 06h17
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SEMANA CHEIA DE SHOWS

BORGHETTI, no Teatro do SESC, na Alberto Bins, terça-feira, às 20 horas.

IVO FRAGA, no Teatro Túlio Piva, na República, quarta-feira, às 20 horas.

SEGALA, no Teatro Bruno Kiefer, na Casa de Cultura Mário Quintana, quinta-feira, às 20 horas. 



Escrito por Jerônimo Jardim às 06h41
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