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NAMORADORES INTERNACIONAIS
Os estadistas do sexo masculino, mesmo os mais velhos, de quem se esperaria maior prudência, vêm se comportando de forma belicosa nas relações internacionais.
Já se pensou que as mulheres poderiam harmonizar os povos. A tese não vem se comprovando. Ministra inglesa despejou bombas nos argentinos; não jorram palavras doces dos discursos da secretária de estado americana; a Ministra alemã também não parece adepta de amáveis relações no âmbito que ultrapassa seu estrito círculo de alianças; a presidente da Argentina vive de refregas com seus próprios compatriotas.
Precisamos, pois, tentar a sorte com outros negociadores, buscar novo perfil.
Talvez a solução estivesse num pacto global no sentido de se preparar para o cargo jovens de ambos os sexos, solteiros, bonitos, inteligentes, cultos, poliglotas, bons dançarinos, atraentes e sedutores; principalmente para as hipóteses de estremecimentos bilaterais. Para aparar as arestas, um conflitante enviaria um guri; o outro, uma guria. Nada como um bom papo, vinho, olhares, confidências, pista de dança, pele com pele, pelo com pelo; com boa disposição e um pouco de sorte, o arremate íntimo do tratado.
Essa idéia me ocorreu ao assistir a entrevista de nosso heróico nadador, ganhador da medalha de ouro. Declarou que, após três anos de treinamento intensivo, era hora de relaxar, se divertir, namorar um pouco. Aí, destacou a beleza das competidoras russas. Bingo!
No passado, reinos em desavença firmaram paz e alianças duradouras mediante núpcias reais. No presente, em crise a instituição, casamento estaria fora de pauta. Superado o impasse, os íntimos negociadores, amigos para sempre regressariam a suas pátrias. A cada crise seriam chamados a atuar novos namoradores.
Escrito por Jerônimo Jardim às 20h12
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PÓDIO
Somente de nossos artistas do futebol masculino exigíamos o primeiro lugar. Esse lugar mais alto do pódio, mais do que nunca, continua exigido.
Mas agora também cobramos medalhas de ouro das jogadoras de futebol feminino.
Queremos, ainda, ouro no vôlei, no basquete, na natação, na ginástica e no atletismo.
Envergonhamo-nos das quedas dos atletas nos exercícios.
Lágrimas de derrota quase não nos comovem.
Os atletas pedem desculpas. Sentem-se obrigados a vencer em nome da Nação.
Cobramos suor e dedicação. Segundo e terceiro lugares, mal nos servem como prêmio de consolação.
Embora estejamos longe dos sucessos alcançados pelas primeiras potências esportivas, algo, sem dúvida, mudou no nosso espírito. Queremos vitórias, glórias; figurar no grupo de elite, que lidera e arbitra os mais importantes jogos globais. A exigência de sucesso nos esportes, para azar dos cobrados atletas nacionais, é mera alegoria de nossas ainda pouco explicitadas aspirações de poder.
Escrito por Jerônimo Jardim às 20h07
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