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JUBILAMENTO?

Tenho quase certeza de que, antes da aposentadoria, era bem menos ocupado, embora me dedicasse com afinco ao ofício que permitiria no futuro, agora presente, a sonhada folga por prazo indeterminado (determinado somente pela humana finitude). As compras no supermercado e as tarefas culinárias, já faziam parte da jornada rotineira. O que mudou então? Que ocupações tomaram o lugar das de labor? Em inventário rápido: consultas médicas, compras em farmácias, exames laboratoriais, internações hospitalares; e exercícios físicos recomendados. Sobram hoje as noites para o convívio familiar, encontro esporádico com amigos, idas ao cinema e para assistir um filminho na TV. Não careço de horas de vigília para compor e poetar. Disso se encarrega o outro, que atua dentro de mim enquanto ronco. Ah! Também sobra um tempinho para escrever abobrinhas como esta neste blogue. Mas, diacho, essas ocupações eu também tinha antes! Concluo, pois, enquanto elaboro este dispensável texto, que a aposentadoria não é para júbilo coisa nenhuma. É para que o aposentado disponha de tempo para se dedicar a atividades próprias da idade senil.         



Escrito por Jerônimo Jardim às 16h37
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ATOR ERRADO EM TEATRO ERRADO

 

Meu pai, militar, contava histórias do tempo em que o Exército atuava nas fronteiras contra o contrabando. É para onde deveria ser enviado novamente; não para as favelas. Não tem faro policial. Sequer sabe distinguir cidadãos honestos de delinqüentes. Não dispõe de rede de delação informal. Segurança urbana é trabalho para policiais civis e policiais militares; não para as Forças Armadas. É verdade que a delinqüência atinge proporções alarmantes; que a força policial não dá mais conta de sua função repressora; que os presídios são insuficientes para o número de criminosos; que a questão não mais se restringe à segurança pública. Pagamos o preço de décadas de descaso. Não cuidamos da distribuição eqüitativa das riquezas; criamos a massa marginalizada que mal sobrevive nas atividades lícitas e que, raras exceções, por talento ou sorte, somente nas ilícitas encontra meios de ascensão econômica. O monstro social mete medo; organizado, bem armado, bem municiado, bem aquartelado; com a conivência dos novos criminosos: os que se corrompem e os que consomem os bens da ilicitude. Não temos programas competentes de reeducação prisional e de readaptação social. Oferecemos aos desprovidos de ofícios honestos, pobreza, presídios infectos, doenças, ignorância e morte. Bolsa família é esmola. Cotas raciais para ingresso na universidade é discriminação. Precisamos conceder oportunidades iguais para todos desde a infância; vagas de emprego nas comunidades carentes; centros de atendimento médico e hospitalar; escolas fundamentais e de ensino médio profissionalizante em horário integral; enfim, educação, esportes, comida, saúde, cultura e lazer. O fogo nos consome nas labaredas da histórica inércia. Primeiro é preciso apagá-lo. A solução das causas maiores do caos é o próximo ato; mas urgente. Confundidas em promíscua relação segurança social e segurança nacional, voltem-se as Forças Armadas para o patrulhamento das fronteiras. Sem o ingresso de armas pesadas e munições no País para os traficantes ilegais, a polícia terá melhores condições de enfrentamento. Sem drogas, o comércio criminoso se enfraquecerá. Aquartelem-se as Forças Armadas na Amazônia, outro teatro próprio para suas operações. Também é questão de segurança nacional enfrentar os predadores da floresta e os pretensos invasores. O certo é que precisamos urgentemente mudar o foco, matar a miséria; não os miseráveis.      

 

 



Escrito por Jerônimo Jardim às 07h46
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PROPÓSITO DESVAIRADO, LUCIDAMENTE REPRIMIDO

Aos vinte anos, para fazer serenatas em Bagé, a gente não respeitava geadas. Saíamos pelas madrugadas a cantar às janelas, mesmo em noites de rigoroso inverno. Talvez esteja equivocado, que nem no tempo de guri eu fosse tão doido para tamanho desvario. Ainda bem que existem pessoas lúcidas, capazes de armar retranca contra tão impetuoso ataque de demência senil. Sobre minha nostálgica, pueril e inconseqüente idéia de dar serenatas neste final de semana, leiam abaixo o texto do meu primo Fernando Moreira, que me enviou por e-mail o amigo Ciro (vulgo Negrão, para que melhor entendam a narrativa, por enquanto ficcional).  

 

     "SERENATA MATA LONGEVO (jj) E ALÉRGICO (zz-zozé)

 

    "O veterano músico Jerônimo Jardim e a jovem promessa musical J. Ducos fizeram óbito na noite que passou. O infausto "acontecimento aconteceu" enquanto, relembrando remotos tempos, tocavam e cantavam antigas marchinhas carnavalescas (a mais cantada era "Mamãe eu quero") e outros hits de época, em serenata promovida pela primeira vítima. Testemunhas relatam que faleceram um tanto alcoolizados, e que, alheios á inóspita temperatura, interpretavam Sandra Rosa Madalena, cantando e se despindo, em coreografia gestual inspirada em Sidney Magal. Chegaram, já sem vida, por volta das 05:00 horas da madrugada, à Santa Casa de Misericórdia local. O primeiro, em face de esforços demasiados para sua adiantada idade, não resistiu à baixa temperatura da noite. O segundo por extrema reação alérgica ao ar gélido da madrugada...

     E segue a notícia falando dos corpos enregelados, dando conta de traslado de corpos, exéquias, etc, etc, etc.

    Os jornais relatam, ao final,. que permanece hospitalizado, na UTI, agonizando, sem expectativas, em grave e irreversível estado, um homem de cor, de alcunha Negrão, que os acompanhava na trágica aventura. O único sobrevivente, o jovem e brilhante advogado e compositor Fernando Moreira, hoje pela manhã manifestou-se à reportagem afirmando:

Eu avisei!" 

(Fernando Moreira). 

 

PS do autor do blogue - MELHOR DEIXAR A SERESTA NO BAÚ.  

 



Escrito por Jerônimo Jardim às 06h11
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BAGÉ

Sei que está frio lá na fronteira. Mas sexta-feira espero embicar com a Clair e a mana Margarida pra Bagé, onde nos esperam amigos, parentes, mocotós, churrascos e boas rodas de viola à beira do fogo com músicos e autores talentosos que fazem muito bem sua arte longe da mídia maior. Só não iremos se chover forte. Frio dá pra resistir. Tempestade, não.  

Escrito por Jerônimo Jardim às 17h13
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