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ESTRADAS PERIGOSAS

Equivocadamente, nossos legisladores vão manter a proibição da venda de bebidas alcoólicas em bares e restaurantes à beira de rodovias em ZONA RURAL. É grave injustiça, já que comércios estabelecidos nas estradas em ZONAS URBANAS estarão liberados. Essa contradição mostra como a proibição é estapafúrdia, discriminatória, sem sentido ante a intenção da lei. Em ZONA URBANA o comércio poderá vender livremente bebidas alcoólicas; em zona rural, não. Por que penalizar os donos de bar das zonas rurais? O bebum pode beber em casa, no carro, na estrada, onde ela corta PERÍMETRO URBANO. Onde a eficácia da proibição mantida? Não é isso que reduzirá a ingestão de bebidas alcoólicas pelos imprudentes condutores. Acertam no entanto os legisladores quanto à tolerância zero, criminalização das ocorrências flagradas e a aplicação de severas penalidades. Lúcia Helena, Gelson Oliveira e eu, amanhã, estaremos embarcados para apresentações em Alegrete, Santa Maria e São Gabriel. Sempre confiei nos motoristas que me conduzem.  Mas estamos tão apreensivos que, ontem, no ensaio, quase ao mesmo tempo, falamos sobre a necessidade de advertir nosso motorista, pedir que redobre cuidados, muita atenção nos outros. Gostaria que TODOS ficassem apreensivos como nós. Se a prudência viajar em cada veículo, as estradas poderão se tornar mais seguras. Um certo RECEIO (perdão pelo eufemismo!) é recomendável. Até segunda-feira.      



Escrito por Jerônimo Jardim às 17h41
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CORTE LÚCIDA

Com alguns desvios, nossa Corte Maior comprovou-se lúcida o bastante para considerar constitucional a lei que autoriza pesquisas com células tronco embrionárias, esperança de cura para tantas pessoas. Parabéns ao STF.

Escrito por Jerônimo Jardim às 17h30
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CÉLULAS TRONCO - rememorando

Colocada hoje em votação no STF a matéria relativa à ação de inconstitucionalidade contra a lei que permite as pesquisas, republico o artigo que escrevi neste blogue e foi publicado na coluna ZH ARTIGOS de ZERO HORA.

 

 

CÉLULAS TRONCO

     Quando começa a vida? A discussão é totalmente estéril quando se discute a legalização das pesquisas sobre a utilização de células tronco. Aquela questão é de natureza meramente filosófica ou religiosa. A ciência não tem respostas; teses carecem de comprovação. As religiões atribuem à intervenção divina; basta crer.

     Em qualquer hipótese, seja creditando ao evolucionismo o surgimento da vida, seja creditando à divindade, todas as correntes afinam no “tu és pó e ao pó voltarás”. Se o pó é nossa origem, é possível que a vida exista em cada grão de pó estelar, em cada recanto do universo.

     Estamos diante de uma das maiores conquistas científicas: a possibilidade de regenerar órgãos. Estaremos alterando o curso natural? Alteramos quando usamos antibióticos. Alteramos desde que aprendemos a fazer fogo.

     O que interessa não é a existência de vida.  O que interessa, tratando-se da proteção constitucional da vida humana, é se os embriões in vitro são pessoas cuja vida não pode ser retirada para todos os efeitos, éticos, morais, religiosos e científicos.

     Nem mesmo os religiosos deixariam de se beneficiar da retirada de órgãos de pessoa cujo corpo ainda pulsa em morte cerebral. A pessoa, o doador, existiu, teve família, amigos, personalidade jurídica, identidade, endereço, estado civil, CPF e DNA único. De algum modo, filosofou. Os embriões congelados, sequer têm sistema nervoso formado e, por falta de útero para que se transformem em nascituros, serão finalmente jogados no lixo.

     Os ricos poderão salvar-se nos países em que a ciência não sofreu entraves. Morrerão os que não dispuserem de recursos para tanto.

     Por que não utilizar embriões que sequer tiveram morte cerebral para serem considerados doadores porque nunca tiveram cérebro; nunca morrerão porque nunca nasceram ou sequer foram nascituros; nunca filosofaram nem nunca filosofarão; e o descarte é seu destino?

      Não se está falando em liberar a utilização dos embriões para a geração de andróides, para a escravidão ou fins militares. A moral é o limite. Mas, por favor, não vamos servir de escárnio para nossos netos como nos servem de escárnio os incineradores de bruxos da Idade-Média.

   



Escrito por Jerônimo Jardim às 10h01
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URGENTE

Mais urgente do que bravatear nosso direito de propriedade sobre a Amazônia, como "a paz queremos com fervor; a guerra só nos traz a dor", é esvaziar os discursos que ameaçam nossa soberania. Concretamente, mesmo na condição de povo pacífico, vamos tratar de implantar bases militares sólidas na região, combater com rigor crimes ambientais, proporcionar trabalho digno aos brasileiros pobres que sobrevivem do corte ilegal da mata. É mais produtivo do que posarmos para o mundo de novos imperialistas, do que estender ao exterior tentáculos da petrolífera estatal e das siderúrgicas. Não é difícil, para quem tem poder de fogo, desapropriar e congelar contas externas. Exemplos históricos não faltam. Esvaziado o discurso principal, os invasores de plantão terão de inventar artifícios dialéticos para justificar intervenções; quem sabe o fabrico de armas químicas; talvez outros, já que este se desgastou na hipocrisia dos posteriores desmentidos.       

Escrito por Jerônimo Jardim às 09h25
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GIGANTES CARENTES

Desmataram, arrasaram o que possuíam; poluíram, deterioraram. Agora os gigantes carentes espicham olhos invejosos para os quintais dos novos ricos. Querem o “pulmão do planeta”; limpar com nossas árvores a sujeira de todos os dias. Estão com sede e fome; dentes e garras afiadas, treinadas para conquistas a título de patriotismo. Nós, o Brasil? Somos somente um gigante de gengivas; nem dentes de leite apontaram. Não basta vontade de criar bloco de defesa continental. Não se sustentará, se não compartilharmos bem-estar com os pretendidos aliados, principalmente paraguaios e argentinos. A Argentina precisa de energia para o desenvolvimento. Não tem fontes naturais; não tem de onde tirá-la. Depende de importação. Empréstimo temporário é pouco ante o futuro. Os paraguaios carecem de recursos financeiros para aproveitá-la. Não temos escolha. Teremos de rever o Tratado de Itaipu, permitir ao Paraguai a venda à Argentina por preço conveniente de parte da energia que nos transfere. Itaipu foi erro estratégico por vários aspectos, e risco para os que dependem da energia e para os que sofrem perigo de inundação. Mas está lá. Só nos resta aproveitá-la e defendê-la. Quanto à Amazônia? Nossos vizinhos têm temores iguais. A floresta não estanca nas fronteiras. São aliados naturais. Mas não podemos esquecer que existem forças militares estrangeiras na Colômbia. Uma coisa é bravatear contra invasão das FARC. E se ocorrer invasão pelos que as combatem? Vamos permitir por inconveniente impotência? A ameaça é real, podem estar certos. Não é pura xenofobia. Se não quisermos perder território para os predadores, teremos que deslocar expressiva força militar para lá. Com a mobilização estaremos também enfrentando inimigos de trincheira, buscando soluções para preservação de áreas indígenas, redimensionadas e descontínuas por medida de cautela, e para  geração de trabalho para os pobres da região, compatível com a preservação ambiental. Devemos continuar pacíficos, não-intervencionistas, defensores intransigentes da autodeterminação dos povos. Mas não podemos dormir em berço esplêndido enquanto nos espreitam para assaltar, surrupiar as riquezas que até bem pouco tempo escondíamos no colchão.  Ainda que nos faltem os caninos da maturidade, temos que afiar as unhas, eriçar os pêlos, tentar convencer de que, além da retórica, temos meios de defender a soberania e a auto-suficiência conquistada. Vale a declaração de que a Amazônia é nossa. Mas é pouco bravatear que ela tem dono. Somente discurso não funciona contra doutores em conquistas, argumentos falaciosos, eufemismos e artimanhas.



Escrito por Jerônimo Jardim às 06h39
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