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CÉLULAS-TRONCO
Quando começa a vida? A discussão posta em pauta é totalmente estéril quando se discute a legalização das pesquisas sobre a utilização de células-tronco para uso medicinal. Aquela questão é de natureza meramente filosófica ou religiosa. A ciência não tem respostas; teses carecem de comprovação. As religiões atribuem à intervenção divina; basta crer. Em qualquer hipótese, seja creditando ao evolucionismo o surgimento da vida, seja creditando à divindade, todas as correntes afinam no “tu és pó e ao pó voltarás”. Se o pó é nossa origem, é possível que a vida exista em cada grão de pó estelar, em cada recanto do universo. Estamos diante de uma das maiores conquistas científicas: a possibilidade de regenerar órgãos. Estaremos alterando o curso natural? Alteramos quando usamos antibióticos. Alteramos desde que aprendemos a fazer fogo. O que interessa não é a existência de vida. A pessoa que teve morte cerebral vive. Vida vegetativa, mas vive. Também tem, como o embrião, DNA único (novíssimo argumento religioso para barrar as pesquisas). O que interessa, tratando-se da proteção da vida humana, é se os embriões in vitro são pessoas cuja vida não pode ser retirada para todos os efeitos, éticos, morais, religiosos e científicos. Nem mesmo os religiosos deixariam de se beneficiar da retirada de órgãos de pessoa cujo corpo ainda pulsa em morte cerebral. Esse doador existiu, teve personalidade jurídica, identidade, endereço, estado civil e CPF. De algum modo, filosofou. No caso dos embriões congelados, sequer têm sistema nervoso formado e, por falta de útero para que se transformem em nascituros, serão finalmente jogados no lixo. Os ricos poderão salvar-se nos países em que a ciência não sofreu entraves. Morrerão os que não dispuserem de recursos para tanto. Por que não utilizar embriões que sequer tiveram morte cerebral para serem considerados doadores porque nunca tiveram cérebro; nunca morrerão porque nunca nasceram ou sequer foram nascituros; nunca filosofaram nem nunca filosofarão; e o descarte é seu destino? Não se está falando em liberar a utilização de embriões para a geração de andróides para a escravidão ou fins militares. A moral é o limite. Mas, por favor, não vamos servir de escárnio para nossos netos como nos servem de escárnio os incineradores de bruxos da Idade-Média.
Escrito por Jerônimo Jardim às 21h45
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TEMPORADA DA BAIXARIA
É bom se preparar. Breve estará aberta a temporada da baixaria com supostos confrontos de alto nível.
Escrito por Jerônimo Jardim às 04h48
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