RITO DE PASSAGEM
A propósito da passagem de ano, em tempos de reabastecimento e ínfima inspiração, transcrevo genial poema de Borges, enviado pela querida amiga e sempre guru, a gaúcha, Ministra do TST, Rosa Maria Weber Candiota da Rosa, de quem recebi as maiores lições sobre a arte de aplicar o Direito com Justiça e ternura.
fim de ano
Nem o pormenor simbólico
de substituir um três por dois
nem essa metáfora baldia
que convoca um lapso que morre e outro que surge
nem o término de um processo astronômico
atordoam e minam
o páramo desta noite
e nos obrigam a aguardar
as dozes irreparáveis badaladas.
A verdadeira causa
é a suspeita geral e difusa
do enigma do Tempo;
é o assombro diante do milagre
de que apesar de infinitos acasos,
de que apesar de sermos
as gotas do rio de Heráclito,
algo perdure em nós:
imóvel,
algo que não encontrou o que buscava.
(final de año
Ni el pormenor simbólico
de reemplazar un tres por un dos
ni esa metáfora baldía
que convoca un lapso que muere y otro que surge
ni el cumplimiente de um proceso astronómico
aturden y socavan
la antiplanicie de esta noche
y nos obligan a esperar
las doce irreparables campanadas.
La causa verdadera
es la sospecha general y borrosa
del enigma del Tiempo;
es el esombro ante el milagro
de que a despecho de infinitos azares,
de que a despecho de que somos
las gotas del río de Heráclito,
perdure algo en nosotros:
inmóvel,
algo que no encontró lo que buscaba.)
Escrito por Jerônimo Jardim às 15h05
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FELIZ 2008
QUE A VIDA DISTRIBUA PRÓDIGA, A TODOS, SEM DISCRIMINAÇÃO, SEU ESTOQUE DE SAÚDE E FELICIDADE.
Escrito por Jerônimo Jardim às 04h15
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