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MEDIOCRIDADE E FRAUDE
Brasileiro aprecia música e futebol. As criações musicais brasileiras se consagraram no mundo. As platéias se renderam ao encanto das jogadas originais dos craques brasileiros. O mundo se apropriou do melhor de nossa música. No entanto, agora, a mídia nacional, com raras exceções, veicula no território pátrio somente obras musicais descartáveis. Esse nivelamento por baixo começa também a ameaçar a outra paixão brasileira. Zagueiros medíocres repudiam o drible original. Partem para a briga, quando vitimados por lance de arte e originalidade. A jogada criativa começa a ser considerada ofensiva aos brios de jogadores de menor talento. Antes, se o jogador tomava um “chapéu”, procurava devolver ao adversário drible à mesma altura. Garrincha conquistou platéias com dribles desconcertantes. Querem nos impingir a predominância do chutão para as arquibancadas. Por outro lado, os juízes das partidas e os tribunais esportivos permitem o ato fraudulento que consiste em deixar os atacantes em impedimento, o que contraria os princípios mais elementares de justiça, já que desconsideradas a falta de intenção do atacante e a intenção da defesa em forçar a irregularidade. A marcação de impedimento pune o inocente e beneficia o infrator, ao invalidar a jogada. A música e o futebol são mera referência da ascensão de valores menores em detrimento da afirmação de mais elevados. Acredito não estar sozinho, que muita gente percebe essa consagração da fealdade e torce para que a poesia volte às paradas, aos campos de futebol; às relações em geral.
Escrito por Jerônimo Jardim às 10h02
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