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CORAÇÃO CAPENGA
Há dois anos, antes da artrite ou seja lá que doença for, era tudo diferente. O coração está dilatado, músculos enfraquecidos. Surgiu agora, depois da primeira intervenção, um problema no lado esquerdo que a segunda intervenção não conseguiu resolver. O quadro foi temporariamente revertido. Os batimentos estão em menor nível, mas com arritmia. Somente implantação de marca-passo solucionará. Como tem que ser pra já, lá estarei eu de novo. Por enquanto, me sinto melhor, menos cansado. Se surgir alguma coisa interessante pra comentar que não esteja restrita ao chato universo dos males físicos, escreverei. Gracias pelas forças recebidas. Até.
Escrito por Jerônimo Jardim às 07h17
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NOVA INTERVENÇÃO NO CORAÇÃO
Agora, às 9 horas, meu conterrâneo, Dr. Carlos Kalil, vai novamente lutar para por ordem nos descompassos do meu coração. Vou superar mais essa. Depois que eu sair da CTI, estarão lá em casa Clair, Patinete, Rui Biriva, Priscila e Gerônimo, que vão acompanhar meu restabelecimento de perto. Não poderei ficar hospitalizado por causa da baixa imunidade. Até outro dia.
Escrito por Jerônimo Jardim às 07h25
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TEIMOSO E VIVO
Esse é o título de um dos discos do Raul Ellwanger. Vem a propósito à memória. A ele recorro para dizer que é como me sinto. Em abril não vai dar. Tenho repouso recomendado por trinta dias. Mas, depois, a Vanessa pode contar com as aulas de ginástica postural. Em maio estarei de volta aos exercícios na academia.
Escrito por Jerônimo Jardim às 16h38
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TREINADOR AZARADO
Grosseirão às vezes, não tenho dúvida de que Celso Roth é um grande treinador. Mas depois de tanta bola na trave, o que não tem a ver com esquema tático ou treino individual de chutes a gol, a torcida dirá que lhe falta um dos ingredientes do sucesso: a sorte. Diziam isso de Abel Braga, até ganhar o título mundial com um gol saído de onde menos se poderia esperar. Foram esquecidos os anos de azar em decisões. Acho precipitada e caríssima a dispensa de Celso Roth enquanto corre a Libertadores. Mas isso é problema do nosso valoroso rival. De nossa parte, viva a vitória e o Centenário Colorado!
Escrito por Jerônimo Jardim às 08h13
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FAMÍLIA E AMIGOS
Aproveito o espaço para agradecer a Clair meus filhos e amigos pelo carinho nas horas mais difíceis de doença.
Escrito por Jerônimo Jardim às 05h32
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EFEITOS COLATERAIS Foi a vez do coração. Exame clínico mensal de rotina do tratamento de artrite reumatóide que faço com o Dr. Mauro Keiserman revelou batimentos acelerados e descompassados. Por orientação dele, após sua ligação para o colega garantindo o atendimento de urgência, saí de imediato rumo ao consultório do Dr. Bernardo Sukienik para eletrocardiograma. Constatado flutter atrial e bloqueio do lado direito, ele me encaminhou, também na mesma hora, para o Dr. Diovanne Berleze, que providenciou internação no Hospital São Lucas da PUC pela Unimed, meu plano assistencial de diversos anos, ao qual só devo elogios até hoje. O Dr. Carlos Kalil, jovem médico cardiologista, conterrâneo de Bagé, pertencente à família de cardiologistas, como seu primo Renato Kalil, amigo de infância, se encarregou dos procedimentos para reversão do quadro caótico via ablação, que consiste na introdução de um catéter pela femural até o coração a fim de cauterizar a área crítica. Estou bem agora depois de uma noite de CTI. Os batimentos retornaram ao normal. Deverei manter repouso por trinta dias, fazer pouco exercício e não ingerir álcool. Cigarro, os médicos condenam sempre. O Hospital ganhou nota alta em todo o atendimento. Todavia, o médico que fez o exame de ecografia transesofágica, cujo nome faço questão de ignorar, não me sedou. Mandou suas assistentes me agarrarem os braços, abrirem minha boca e, com grande alegria estampada no rosto, falando abobrinhas com elas, borrifou solução doce na minha garganta e me enfiou guela abaixo um troço que me pareceu do tamanho de um celular. Passou como uma batata inteira na garganta. Não sei se na hora de colocar ou de retirar, quebrou a obturação de um dente, que cuspi num guardanapo posto para recolher baba. Pasmo, ao sair do exame, esbravejei. Ele se fechou em sua sala. Saí frustrado na cadeira de rodas de volta ao apartamento, humilhado, abatido diante de minha situação de paciente fragilizado pela doença. No futuro, somente pretendo lembrar desse fato como nota cômica. Enquanto estava sob o efeito da indignação, divulguei bastante o ocorrido no hospital. Todo o setor de enfermagem do oitavo andar ficou sabendo, bem como todos os médicos que carinhosamente me tiraram de mais essa. Com a bunda na cerca, vou me escapando. Mais uma vez, conto com o dedicado e meigo apoio da Clair, que me cerca de cuidados, advertências, delicadezas e frutas, que não consigo tragar, com ou sem casca, sem repugnância. Vou consertar a obturação quebrada. De internação em internação, de alta em alta, vamos em frente. Sábado tem kerb no Biriva. É a festa de aniversário da Priscila. Só agua pra mim, gente!
Escrito por Jerônimo Jardim às 12h45
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FILA DE IDOSOS NO SUPERMERCADO Aproveito uma das poucas vantagens de estar com sessenta e quatro anos. Entro na fila de idosos do supermercado. A moça da caixa, pouco antes de chegada a minha vez, atendeu um homem que aparentava não mais de quarenta anos. Não olhou para o resto da fila. Quando chegou minha oportunidade, ela disse que eu teria que esperar porque havia pessoas mais velhas na fila. Retruquei que, por gentileza, não pela ordem preferencial inovatoriamente estabelecida, permitiria a senhora, de uns setenta e poucos anos, passar à minha frente. Aleguei que a regra do supermercado era única, sem parágrafo estabelecendo preferência entre os idosos e que, a se considerar que existisse, deveria estar publicado com a regra principal, além de destacado empregado para conferir identidades e organizar o atendimento mediante tal critério: sessenta anos e dois meses; sessenta anos e três meses; assim por diante. Não é a primeira vez que desrespeitam meu direito de idoso na fila do supermercado. Em outra oportunidade, uma mulher, um pouco mais velha do que eu, me arredou a cotoveladas alegando preferência. Tive que apresentar identidade e ouvir de outras pessoas que poderia ser falsificada. Vou acabar traumatizado, carente de analista que me convença de que a negativa de atendimento privilegiado é uma dádiva. Por enquanto, apesar dos desrespeitos, não pretendo abrir mão do direito conquistado em função da senilidade.
Escrito por Jerônimo Jardim às 11h34
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FESTIVAL DA BARRANCA
Estou triste por não poder ir ao Festival da Barranca na Semana Santa. Há problemas, também lá, de FEBRE AMARELA. Tem mosquitos na beira do Rio. Outros tirariam de letra. É só usar repelex e tomar vacina. Eu não posso me vacinar, por causa do tratamento com corticóides, etc. Lamentável. Espero que se lembrem de me convidar em outra oportunidade. Nunca consegui ir. Sempre havia um compromisso impeditivo. Dessa vez eu estava entusiasmado e dispunha de tempo reservado. Poderia participar do festival, fazer alguma parceria. Iria viajar com o Patinete e outros colegas; dar muitas risadas; rever os músicos de São Borja e os músicos argentinos que foram tão simpáticos comigo na Festa do Dourado, no Borghettinho. Carinhoso abraço e votos de sucesso pra turma de São Borja que acompanha o que escrevo aqui.
Escrito por Jerônimo Jardim às 06h08
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ENTUSIASMO DE NOVO
O Dr. Mauro Keisermann me colocou em forma, com novos medicamentos e monitoramento diário via e-mail. Aproveito o momento de doce alívio para focar a energia na criação de canções regionalistas para o CD de Rui Biriva, em parceria com ele e com o músico e compositor Marco Barbosa. Pela amostragem do que já compusemos, mais a excelente safra que certamente virá dos tradicionais parceiros do Biriva, Erlon Péricles e Waine Darde, creio que teremos farto material para alinhavar o repertório. "E dê-lhe rédeas pra parelheira; e dê-lhe patas e, pra trás, dê-lhe poeira!" (Trecho de nova canção em parceria com Marco Barbosa). Segunda-feira, 23.3.2009.
Escrito por Jerônimo Jardim às 12h49
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INFERNO E PARAÍSO A merda dessa doença chamada artrite reumatóide, que me apareceu de surpresa em novembro do ano retrasado, é que ela não permite que eu esqueça dela um dia sequer. É ciumenta e possessiva. O paciente se torna chato. Não consegue deixar de falar nela, em sua incômoda presença. Quanto à letalidade, somente mata, pelo que já li, quando atinge órgãos vitais, o que é raro. Mas a dor que causa nas articulações obriga à ingestão de medicamentos que reduzem as defesas do organismo contra ataques de vírus, bactérias e fungos oportunistas. Tudo de ruim, que passaria de viagem, decide se aquerenciar. Mas, sem remédios, o sofrimento seria insuportável. Um dia dói a mão; um outro os ombros, joelhos, pés, maxilares; às vezes, todas as juntas. Sou covarde diante desse tipo de inimigo, que briga com armas superiores. Sei que um por cento da população do mundo sofre dessa porra. Sei que há pessoas com dores maiores; algumas, nunca experimentaram vida sem dor. Mas não adianta querer compartilhar a dor dos outros, por solidariedade. Não posso senti-la. Ninguém pode sentir a minha. Gentil e sinceramente, alguém pode lamentar, proferir palavras de conforto. O Inferno e o Paraíso estão aqui, tenho certeza, nessa única vida. Posso habitá-los num único dia. Faço o possível para ser feliz quando me livro por alguns momentos da indesejável companhia que me converteu em manancial de queixumes. Torço para que a Clair volte para casa e que meus amigos só me encontrem em horas de Paraíso. Hoje não é um bom dia; ao menos até agora. Talvez mais tarde esteja bem, depois de vinte miligramas de cortisona. Por isso, sem vítimas de meu discurso queixoso por perto, encho a paciência de quem se animou a acessar este blogue, neste instante respingado pelo espicaçar do tridente, chamuscado pelas chamas da fornalha. Mil perdões. Amanhã pode ser meu dia de estada no Paraíso. Portanto, até amanhã, se tudo estiver bem. Daqui em diante não mais acessarei o computador quando estiver hospedado no Inferno.
Escrito por Jerônimo Jardim às 13h51
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SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE
Esqueci de falar no atendimento do SUS. O Governo Federal, em tempo anterior ao Lula no poder, pensou utopicamente. O projeto é ótimo no papel. Pretendeu gerenciamento regionalizado, trabalho em colaboração; recursos administrados pelos Estados e Municípios. Não está funcionando como foi idealizado. É preciso repensar, corrigir rumos, sujeitar a penalidades rigorosas as autoridades que desviam as verbas oriundas dos cofres da União para fins diversos. Está um caos. Pobre povo, morre nas filas, como se viu ontem nos noticiários; como se vê ao entrar num hospital conveniado.
Escrito por Jerônimo Jardim às 05h37
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ESTADISTA
Em razão das ultrapassadas posturas petistas e da falta de preparo intelectual do Lula quando no início do primeiro mandato - se bem que ninguém chega onde chegou sem méritos pessoais -, porque cogitavam de decretar moratória unilateral, temi pelo futuro do País. Acho que sou como o Lula se autodenomina, parafraseando Paulo Coelho, na letra que fez para Raul Seixas; também me considero uma "metamorfose ambulante". Nesse sentido, depois de alguns momentos de ceticismo, por exemplo quando vi bobagens ao estilo "não interessam os meios para atingir os fins", mudei de opinião. Creio que somente por implicância alguém pode hoje deixar de admitir que o Lula conduz com competência os destinos da Pátria e que se tornou um estadista de forte personalidade, opiniões firmes e acatadas, internacionalmente respeitado, fino humor em encontros presidenciais, humor apropriado quando fala com o povo. Fala aos presidentes e é entendido. Fala ao povo e é entendido. Acho que até aprendeu a falar "ingleix". Dança com desenvoltura o jogo global. A crise financeira, de origem alienígena, atrapalhou um pouco os planos, pois iam de bem a melhor. Mas as ações adotadas, mesmo no meio da surpreendente turbulência, me parecem acertadas, geradoras de credibilidade, até quando o discurso é demasiadamente otimistas na intenção de não gerar desânimos, crises de desconfiança inibidoras de consumo e retraidoras de produção e investimentos. Falta ainda solucionar o problema da desigualdade social que gera insegurança; erradicar a miséria para diminuir a opção pelo crime. O PAC levará progresso, dará empregos; mas não é o bastante. É preciso investir em escolas que levem nossas crianças pobres a mercado futuro de trabalho honesto e digno. Não dá para fazer tudo, eu sei. Mas, outro mérito do Lula, temos a sorte de ele contar com pessoas certas nos lugares certos nas áreas governamentais. Portanto, anacrônico agora é ficar tirando o tapete só por tirar, com argumentos meramente preconceituosos.
Escrito por Jerônimo Jardim às 06h08
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ANACRONISMO Foram muitas as conquistas femininas. Muito resta a conquistar. Os salários são inferiores aos dos homens para idênticas atividades em muitos setores da iniciativa privada. O percentual de mulheres no poder ainda é tímido. Verdade que muitos homens, conscientes de que as mulheres trabalham tanto ou mais do que eles fora de casa, já dividem parte das tarefas domésticas. Por se ocuparem em casa de mais encargos, seria justo que mulheres comprovadamente mães conquistassem direito a jornadas de labor reduzidas; se bem que medida de tutela legal nesse sentido poderia gerar redução de postos de trabalho para cidadãs sujeitas à benesse da maternidade, o que representaria regressão. Bem intencionadas proteções legais geram às vezes efeitos colaterais malignos. Em qualquer hipótese, tudo sopesado, as reivindicações de igualdade são mais do que justas. Desigualdades de direitos e deveres não se justificam. Aí chego a um ponto crucial. No meu entender, a aposentadoria antecipada das mulheres em cinco anos, é vantagem contraditória e anacrônica. As estatísticas comprovam a maior longevidade feminina, parâmetro adotado inclusive para cálculos atuariais. É onerada a Previdência Oficial por largos cinco anos sem justificativa plausível. Minhas amigas e familiares mulheres poderão se indignar, mas não encontro fundamento em favor da vantagem. Poderei pensar de modo diferente se alguém trouxer argumento convincente que a ampare. Aguardo.
Escrito por Jerônimo Jardim às 07h31
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ESPIONAGEM
Os chefes e agentes, mais ainda os agentes secretos, dos órgãos de informação pelo mundo (sabem até o que não é publicado) devem estar se rolando de rir da intenção dos legisladores brasileiros de obrigar autorização judicial para escutas. A clandestinidade é a cortina que lhes confere eficiência. James Bond é um pálido retrato ficcional das ações governamentais de espionagem protagonizadas pelas agências de informação.
Escrito por Jerônimo Jardim às 07h35
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MEMÓRIAS – 17 Em capítulo próprio lá do princípio da narrativa, não referi a paixão pela campanha, pelas lidas do campo e pelos cavalos de corrida. Aproveitando que morávamos numa chácara próxima do Jóquei Clube de Bagé, eu e meu irmão Bebeco pulávamos a janela às cinco da manhã para ir às cocheiras do Silveirinha, criador de puro sangue inglês (PSI) no haras Jaguarão Grande, nacionalmente famoso por produzir campeões. Montávamos e íamos dar voltas a trote e a galope na pista. Os profissionais ficavam contentes. Aliviávamos o trabalho deles. Era uma troca legal. Antes da hora de acordar, estávamos de volta. A mãe nunca desconfiou. Sobre o assunto, acrescento que, aos catorze anos, antes de me voltar para o futebol, eu sonhava ser jóquei. Tio Auri, irmão de meu pai, me dissuadiu. Disse para eu notar minha altura, que já era quase a de hoje. Só poderás ser jóquei de elefantes, ele disse. Acolhi com tristeza sua opinião. Parei de fazer regime e tomar vinagre para emagrecer, como faziam os jóqueis de Bagé que tinham problemas com peso. Ainda amo cavalos de corrida e o trabalho da vida rural. Bebeco realizou o sonho de criar cavalos. Não sei se gosta tanto como eu da campanha. É um trabalho árduo. Mas em Bagé, tem haras de criação PSI e é criador de gado, na Coxilha do Haedo, o que o obriga a viver na estrada, já que é professor na Faculdade de Veterinária de Santa Maria, onde reside. Há alguns anos passei quinze dias das férias na estância, com o Bebeco. Íamos a campo com a peonada. Deu para matar a saudade dos tempos em que passava as férias de verão na fazenda do Tio Argemiro, correndo vaca, ajudando nos bretes. Assumi compromisso com a peonada do Bebeco de compor uma música campeira por dia para apresentar no galpão na hora da janta. Aproveitava cada acontecimento para compor. Nasceram quase de impulso as canções que agora interessaram esse artista e pessoa fascinante que é Rui Biriva, um dos maiores cantores regionalistas dessas plagas, autor de grandes sucessos como “Tchê Loco”, “Castelhana”, por aí vai. Rui, sua esposa Priscila e o filho Gerônimo, meu tocaio com "G", hoje fazem parte do rol de nossos poucos amigos muito próximos; aqueles das boas e más horas, com os quais se fala com freqüência ao telefone, se encontra para dar boas risadas, dizer bobagens, esquecer mazelas. Disse-me ele que puseram no filho o nome de Gerônimo em minha homenagem, só porque ele gostou do meu jeito quando fomos apresentados pelo Patinete, nosso “amigo de fé, meu irmão, camarada” e produtor comum, fã de Roberto Carlos, do que decorre a citação entre aspas. Da convivência em finais de semana no sítio dos Biriva, violão de mão em mão, com a companhia do Marco Barbosa, parceiro de alguns dos sucessos de nosso anfitrião, também músico e compositor competente, ouvidas as canções que fiz nas férias rurais com meu irmão, espontaneamente como convém, sem nada ter sido antes planejado, nasceu o projeto do novo disco em que, a convite do Rui, deverei auxiliar o Patinete na produção. Sempre tive a sorte de trabalhar em música com amigos; além de amigos, talentosos. Assim, ocupado, fazendo o que gosto, deixo as dores de lado. Elas somente me derrubarão se me levarem ao hospital. Enquanto não me parece ser uma ameaça próxima, dedico o dia de hoje, sexta-feira 13.3.2009, ao preparo de planos para a realização do projeto de CD de Rui Biriva. PS - Espero que, neste ano, as horas em estúdio ganhem de dez a zero das horas em hospitais, laboratórios e consultórios médicos. Também espero continuar um dia estas Memórias, mas somente com histórias boas de contar. Feito o balanço de erros e acertos, estou em paz com meu passado. Faltou dizer da felicidade que tive de ter filhos carinhosos, competentes, responsáveis, e que, posso dizer, a meu ver, souberam escolher seus pares; Flávio, a Penélope; Thaís, o Antônio. Desejo-lhes um futuro feliz. Quanto ao que ainda não publiquei, se, aos sessenta e quatro anos, eu for descartado, não surpreendentemente, do ativo patrimonial dessa experiência única e fantástica que é a vida, caso um dia alguém venha a se interessar, somente gostaria da republicação de obras e da publicação de coisas inéditas que se encontram em demos arquivadas de voz/violão; do longametragem de animação, CRI-CRI, O GRILO GAUDÉRIO; da peça musical RAFINHA E CACAU, UMA AVENTURA MUSICAL; das canções regionalistas feitas na COXILHA DO HAEDO; do que tenha escrito de razoável neste BLOGUE; e, finalmente, dos originais, após revisão, de SERAFIM DE SERAFIM e de IN EXTREMIS. Qualquer coisa, além disso, encontrada em algum baú ou fita cassete antiga, podem ter a certeza, revisei e não prestam. Por enquanto, fico por aqui. Dê-lhe rédeas, dê-lhe boca. Quando o inverno chegar, tudo correndo bem, estarei em Bagé com os amigos de Porto Alegre em festeira comitiva para visitar Ciro e Cris, que integram o rol dos meus amigos mais próximos, meu primo Fernando Moreira, e demais compositores, músicos bageenses, e parceiros da terrinha. Vamos concorrer no "baile à fantasia". Cuidem-se! O Patinete é tri da Festa do Ridículo. Tem currículo em fantasia.
Escrito por Jerônimo Jardim às 07h06
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