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PÓDIO
Somente de nossos artistas do futebol masculino exigíamos o primeiro lugar. Esse lugar mais alto do pódio, mais do que nunca, continua exigido.
Mas agora também cobramos medalhas de ouro das jogadoras de futebol feminino.
Queremos, ainda, ouro no vôlei, no basquete, na natação, na ginástica e no atletismo.
Envergonhamo-nos das quedas dos atletas nos exercícios.
Lágrimas de derrota quase não nos comovem.
Os atletas pedem desculpas. Sentem-se obrigados a vencer em nome da Nação.
Cobramos suor e dedicação. Segundo e terceiro lugares, mal nos servem como prêmio de consolação.
Embora estejamos longe dos sucessos alcançados pelas primeiras potências esportivas, algo, sem dúvida, mudou no nosso espírito. Queremos vitórias, glórias; figurar no grupo de elite, que lidera e arbitra os mais importantes jogos globais. A exigência de sucesso nos esportes, para azar dos cobrados atletas nacionais, é mera alegoria de nossas ainda pouco explicitadas aspirações de poder.
Escrito por Jerônimo Jardim às 20h07
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DIAS GÊMEOS
Os dias não são iguais.
São, às vezes, dias gêmeos,
caras abertas, fechadas,
caras de paz ou pintadas,
caras de tudo ou de nada,
que, a cada despertar,
precisamos conhecer,
cumprimentar;
se possível, conquistar.
Escrito por Jerônimo Jardim às 06h47
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ALGEMAS
Diante de fatos recentes em que banqueiros e políticos foram presos pela Polícia Federal, o Supremo julgou degradante a colocação de algemas, ao fundamento de que tal atitude policial somente se justifica quando presente concreto perigo de fuga ou ameaça à segurança dos agentes.
Se algemar não cabe, por certo também descabe colocar supostos criminosos no desconforto da mala de um camburão.
Em tese, a regra deveria valer para todos os cidadãos em decorrência do princípio da igualdade, constitucionalmente consagrado.
Na prática, o que ocorrerá?
Ocupantes de altos cargos políticos e importantes homens de negócios detidos por suspeita de falcatruas, por prudência dos agentes policiais (a Súmula Vinculante prevê punições sérias), não serão humilhados. Os mais pobres, suspeitos da prática de crimes outros que não o de desvio de milhões dos cofres públicos, continuarão sendo algemados e postos em camburões. Face à subjetividade das aparências, para igualá-los aos ricos, livrá-los das algemas e de tratamentos abusivos, quem sairá em favor deles quando não representarem perigo de fuga ou reação?
Escrito por Jerônimo Jardim às 08h24
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DIA DOS PAIS
A data, como outras tantas, é criação do mercado. Mas é sempre um prazer se entregar a cada uma delas com a ingenuidade dos puros. Só há pouco descobri isso. Não precisava ter perdido tantas horas em vãs divagações. Assim, sem me criticar pela pieguice, me entrego a emoção dos carinhos, grato pela atenção dos filhos que não tiveram de mim aquela que mereciam na infância. A arte é filha muito egoísta. Pouco se importa se rouba tempo dos irmãos.
Escrito por Jerônimo Jardim às 21h08
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IMPERDÍVEL
Dia 24 de agosto próximo, domingo, às 19 horas, no auditório do Leopoldina Juvenil, a Orquestra de Câmara da ULBRA, regida pelo maestro Tiago Flores, tem como convidados especiais RAUL ELLWANGER e ZÉ CARADÍPIA.
Escrito por Jerônimo Jardim às 07h16
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SURPRESA
Clair e eu fomos convidados para festa na casa do Rui Biriva e da Priscila. O churrasco, com a presença de ícones gaúchos das artes, da produção cultural, dos esportes e da política, como Greice Morelli, Cadica, Patinete, Cláudio Duarte, Ancheta e Mendes Ribeiro Filho era, de fato, para inauguração do campo de futebol, batizado com o nome de Pibe, ex-boleiro de Horizontina, terra do Rui e da Gisele. Mas, para minha surpresa, era em minha homenagem. Duvido que eu tenha conseguido retribuir com palavras o que aquele momento representou para mim. Também não conseguirei agora. Registro a emoção desse carinho. Muito obrigado, amigos.
Escrito por Jerônimo Jardim às 07h13
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SAUDADE DE HOJE
Estive num hoje do amanhã e não consigo me lembrar de nada que não seja a saudade deste hoje tão antigo.
Escrito por Jerônimo Jardim às 17h31
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DE NOVO
Aqui estou eu, de volta à ativa, diante da tela vazia que pede textos que não vêm. Vou catar nos cadernos palavras desprezadas. Os artistas plásticos retiram do lixo precioso material para instalações. O que são versos cortados? Então, vamos lá; à luta de novo.
Escrito por Jerônimo Jardim às 17h00
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SALVE QUEM PUDER
Quando nos atacam os efeitos colaterais dos medicamentos, cada terapeuta trata de salvar o órgão afetado que lhe incumbe. O grito é: salve o quê, quem puder; se possível, o paciente. Se possível.
Hospital Mãe de Deus (pneumonia em 20.7.2008).
Escrito por Jerônimo Jardim às 16h58
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CHEIRANDO
Que cheiro tem o lixo da fábrica de perfumes?
Escrito por Jerônimo Jardim às 16h49
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9 mil visitas
Gracias pelas 9 mil visitas.
Escrito por Jerônimo Jardim às 19h14
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RAP RAPIDINHO
PRENDE E SOLTA. PRENDE DE NOVO E SOLTA. PRENDE E SOLTA. PRENDE DE NOVO E SOLTA. SURPRESA, MANO. O ELEMENTO SUMIIIIU!
Escrito por Jerônimo Jardim às 08h27
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COLOU MAL
Lamentável a decisão do Presidente do STF, principalmente se considerarmos a noticiada manifestação, atribuída ao banqueiro solto pelo "habeas corpus" produzido em noite de vigília, de que não se preocupava com julgamentos em instâncias superiores. Algema é modelito reservado à prisão de suspeitos pobres? Camburão policial descabe para quem usa terno e gravata? Quem melhor dispõe de meios para alterar provas quando posto em liberdade no curso das investigações e do processo, o banqueiro ou o marginal? Qual deles oferece maior risco de ocultação pessoal e fuga? Quando decisões como essa emanam do Supremo, intérprete máximo da Constituição, com pesar deduzimos que a igualdade não passa de fria retórica inserta de forma ôca entre seus princípios.
Escrito por Jerônimo Jardim às 12h18
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PAPAGAIO DE PIRATA
A Ana Maria Braga leva nas costas um papagaio aliado. O Lula carrega nos ombros um papagaio inimigo. São típicos papagaios de pirata. Faturam por conta dos poleiros. O Louro, papagaio da Ana, faz graças pouco engraçadas. O Diogo, papagaio do Lula, vive de bicar a orelha presidencial. Mas com bico esterilizado. De modo algum deve infectar fatalmente a celebridade que lhe permite papagaiar na mídia bizarrices tais como sua ojeriza à música.
VERGONHA EM FALTA
Perdemos a capacidade de nos espantar quando insuspeitos cidadãos são flagrados em delito. Digerimos bíblicas lições. Quem nunca pecou, atire a primeira pedra. A carne é fraca. Muitos são os dísticos da condescendência. Sabemos o quanto é difícil sobreviver e ser competitivo; resistir às pressões que nos impõe a luta pelo pódio; desviar das pedras do caminho; manter-nos íntegros pelo estreito corredor da ética e da decência. Talvez por causa disso não ficamos mais possessos ante a desonra dos que sucumbem às tentações e, às vezes, nos apiedamos de seu papel; assumimos sua desconfortável carapuça; vestimos sua áspera pele; colocamos sua horrenda máscara; sofremos sua execração. Mas algo ainda há de espanto em nós capaz de nos deixar pasmos: a cara de pau dos respeitáveis desonrados! Voz de prisão, algemas, camburão, condenação; nada disso os impede de retornar à ativa; alardear notáveis feitos como se os feitos vergonhosos (talvez só para nós) jamais tivessem cometido. Há pouco tempo um grave pecador, publicamente desmascarado, não se permitia sair de casa; não se animava a encarar o espelho, que dirá seus semelhantes. Será que no outro lado do mundo os japoneses ainda cometem haraquiri por vergonha?
Escrito por Jerônimo Jardim às 19h53
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DÚVIDA
Eu me considero um cara responsável, cumpridor das leis. Quando vou a um bar à noite, não dirijo carro. Mas tenho que dirigir às cinco e trinta da manhã. Se for dormir ás duas da manhã e tiver tomado umas três ou nove, o bafômetro acusará álcool no meu sangue? Quem sabe, pode informar? Creio que a lei deveria conter essas informações.
Escrito por Jerônimo Jardim às 22h37
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