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MOMENTO CAÓTICO

Não fui e nem irei ao “Forum Social Temático”. Estou imerso em foro individual, raciocínios sobre o que é ético, democrático e justo para mim e nada disso para outros. Discordo do muito que é aplaudido. Um condenado por crimes de morte por seus compatriotas recebe honras de herói no Palácio do Governo Gaúcho. O que sentiríamos se o Governo Italiano acobertasse autor de crimes hediondos no Brasil e ainda lhe concedesse honrarias? Em matéria jornalística, hoje, é afirmada a adoção de práticas sustentáveis de produção pelo setor fumageiro. Enquanto isso, paralelamente, o Ministério da Saúde brasileiro condena e cria dificuldades para o consumo de tabaco. Outros Ministérios, ligados a finanças e arrecadação de impostos, incentivam a produção no setor, que consideram fundamental para o equilíbrio da balança comercial. Não faz muitos anos, chamava-se esse comportamento díspar de um mesmo Poder de “hipocrisia governamental”. Gente de destaque, publica manifesto de apoio à expropriação de obras de natureza intelectual, sob o argumento de “democratização da cultura”, o que só favorece os sites e provedores que exercem com natural liberdade a pirataria na internet. As personalidades que se manifestam contra os autores agem como se estivessem subvencionadas por lobistas do setor cibernético. Um dos sites americanos, talvez não por acaso, é bastante destacado nos discursos promocionais contra os autores em palestras e painéis. O Presidente dos Estados Unidos contraria projeto de lei do Congresso que busca, com justiça, obstar a apropriação ilegal dos direitos autorais na internet. Argumenta que proibir as publicações das obras não licenciadas seria interferir na “liberdade de expressão”, como se fosse normal e honesto usar e abusar da propriedade alheia a esse título. Barra-se a “liberdade de expressão” quando é proibida a MANIFESTAÇÃO DE AUTORIA DO PRÓPRIO MANIFESTANTE, a divulgação do verbo que lhe pertence. Basta simplesmente perguntar-se: as obras pertencem aos sites e provedores? Não? Onde a “liberdade de expressão” a proteger? Lembro que os magnatas da internet multiplicaram os discursos de Obama na rede, o que foi fundamental para a assunção por ele do cargo presidencial. Terá alguma correlação com tal fato seu posicionamento jurídico e político a respeito do tema? O direito,  o que bem sabe um jurista de Harvard, reza com clareza cristalina que se pode dispor com liberdade das próprias obras, inclusive para veiculação gratuita; não, criminosamente, sem licenciamento, de obras alheias. Atravessamos momento de transição, de ideias caóticas, em que personalidades mundiais de proa confundem os princípios éticos e morais que constituem a base do Direito. Misturam, sem critério, crime e indecência com as cristalinas noções de liberdade, igualdade e fraternidade. Confio, talvez ingenuamente, que o processo de seleção natural ainda consagrará, ao final, a vitória da honestidade, da decência e da justiça.            



Escrito por Jerônimo Jardim às 13h45
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DIREITOS AUTORAIS – NOITE PARA PENSAR

Nesta madrugada parei para pensar porque me desgasto tanto lutando pelos direitos dos criadores de arte e cultura expropriados na internet, se não sou dos que estão sendo prejudicados pela pirataria, já que não tenho música em paradões de sucesso.

Por que o silêncio, aqui no Brasil – não nos Estados Unidos e na Espanha –, dos compositores de músicas de sucesso, gravadoras, artistas, produtores, escritores, cineastas, produtores e criadores de vídeos, organizações e associações de classe? Por que estão submissos, enquanto me torno odiado pelos adversários de fato e pelos que somente são contrários por imaginarem que serão prejudicados em seus brinquedos de internautas? Não consigo aceitar um roubo tão descarado, um montão de magnatas da internet enriquecendo cada vez mais com o uso indevido das obras alheias. Ao menos dissessem que não interessa ou que já estão sendo remunerados de alguma forma que eu desconheço. O ECAD e as Sociedades Arrecadadoras de direitos autorais musicais já têm conhecimento da luta que Raul Ellwanger e eu travamos isoladamente aqui no RS. Digam algo, por favor, que existem outras formas de acerto ou compensação, sei lá. Ficarei grato, pois não precisarei dedicar horas de sono para meditar sobre o assunto.   



Escrito por Jerônimo Jardim às 07h37
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CONIVENTES DO ROUBO CIBERNÉTICO

Algumas pessoas, não sei se por ingenuidade ou malícia, posicionam-se de forma conivente à apropriação indébita, portanto criminosa, de músicas, livros, vídeos, filmes e outras obras de natureza intelectual por provedores e sites da internet que têm no armazenamento de obras alheias sem pagamento de direitos aos autores e a disponibilização gratuita aos usuários a fonte de seus faturamentos estratosféricos. Eu venho falando a horas que essa mamata vai acabar. Ninguém fica bobo por muito tempo. A internet não é um campo livre para o crime. Não se pode veicular pedofilia. O site é responsável pela fiscalização dos usuários e tem a obrigação de barrar a veiculação, sob pena de conivência. Pois também não pode ferir a lei da propriedade intelectual. É crime. Obama faz jogo para a torcida: seus mentores na campanha de eleição que multiplicaram seus discursos. Veicular e permitir a veiculação de obras alheias sem autorização não é “liberdade de expressão”. Liberdade de expressão é poder publicar o próprio discurso, portanto de SUA AUTORIA, e se responsabilizar por seu conteúdo. É pura bravata a saída do ar dos sites por algumas horas ou alguns dias para PROVAR SUA INEGÁVEL IMPORTÂNCIA. Quem duvida que a internet seja o mais eficaz meio de comunicação dos tempos contemporâneos? Voltarão logo ao ar na LEGALIDADE. Esse é o seu negócio! O que ficou para trás, já era, assim como não foi indenizado o trabalho gratuito do tempo da escravatura. Mas agora é hora de remunerar os autores. Na legalidade, finalmente, os provedores poderão permitir que os USUÁRIOS continuem com a DIVERSÃO NA INTERNET, postar e compartilhar suas canções e obras favoritas. Sinale-se que os autores não estão proibidos de liberar a veiculação gratuita de suas obras. A isso, sim, se pode chamar “liberdade de expressão”. Apesar da contrariedade e oposição dos egoístas que só se rebelam quando a apropriação objetiva o esforço do próprio trabalho, pela luta dos que não se dobram submissos à exploração alheia, as abóboras se acomodarão na carreta e chegarão a seu destino.       



Escrito por Jerônimo Jardim às 20h26
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FM CULTURA – CONVERSA DE BOTEQUIM

Quinta-feira, 19.01.12, às 17 horas, estarei no programa de Luís Henrique para homenagear ELIS REGINA no triste aniversário de 30 anos de sua morte traumática. Obtive a confirmação do falecimento por meio do pai da minha amiga Denise Saraceni, parceira de moradia com Sandra Alvim (amiga aqui do Face) em apartamento situado no simpático Bairro Peixoto, apesar do desconhecimento de João Marcelo demonstrado no telefonema que lhe dei (ele tinha somente 11 anos), fiz por puro impulso e emoção a canção AMIGA. Foi gravada pelo carioca Flávio Sales com arranjo e piano do maestro Gilson Peranzetta. Tenho a gravação. Pretendo mostrá-la no programa. Denise estava em São Paulo. Apanhou-me no aeroporto. Acompanhamos as cerimônias de sepultamento revoltados com o procedimento de alguns artistas famosos que pareciam ali estar somente para aparecer, enquanto nós e seus músicos chorávamos discretamente entre o público.         



Escrito por Jerônimo Jardim às 21h22
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CASA DO ARTISTA

Fiquei chocado ao saber, por artigo do Correio do Povo de Domingo 15.01.12, que o grande ator SIRMAR ANTUNES se encontra, entre outros de marcantes histórias, recolhido à Casa do Artista, localizada no Bairro da Glória em POA. É um dos mais talentosos atores gaúchos. Inesquecível a participação dele em NETTO PERDE SUA ALMA, o ótimo filme de Tabajara Ruas e Beto Souza. Mas esporádicos papeis em cinema não são o bastante para mantê-lo dignamente. Precisa da caridade da Casa do Artista. Um jovem chamado Luciano Fernandes tenta recuperar a entidade do abandono a que andou entregue. Busca contribuições. Quem souber de algum trabalho artístico para os atores idosos que lá estão com gana de entrar em cena, informe. Eles também contribuem para a Casa quando trabalham. Sugiro aos artistas que participam do Face que contribuam, se puderem. Eu vou contribuir com modestos R$ 50,00 por mês. Mas qualquer contribuição mensal é importante. Quem sabe de nossas necessidades futuras? A agência é 0073 do Banrisul e a conta-corrente 06011348.0-8. Quem quiser falar com o administrador para se inteirar melhor da situação da Casa do Artista ou para apresentar sugestões, favor ligar para Luciano Fernandes pelo fone (51) 9123-7519, conforme número constante da reportagem.    



Escrito por Jerônimo Jardim às 07h02
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REFLEXÃO DE FUMANTE

(Em memória do poeta Mário Quintana e em homenagem ao cronista  

Paulo Santana)

O cigarro é um grande e duradouro amor com quem trocas beijos ardentes e compartilhas as mais sombrias intimidades, e porque sabes que ele te destrói, não é hipócrita, não te trai.  



Escrito por Jerônimo Jardim às 15h03
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ABSURDOS RELIGIOSOS

Assisti agora na TV um filme, baseado em fatos reais, sobre uma menina da Somália que se tornou modelo de fama mundial. Na entrevista sobre o fato que mudou sua vida, em que a repórter esperava algo sobre o início da carreira da garota pobre africana, ela optou por contar sobre a perda do clitóris aos três anos de idade e da costura dos grandes lábios da vagina para serem rompidos a navalha pelo marido, brutalidade em nome do fanatismo religioso num mundo em que a religião favorece a dominação sem limites dos homens. Pelo que se sabe, o costume sobrevive, embora nada haja a respeito no Alcorão. Também nada há na Bíblia, só se tivessem escrito um Novíssimo Testamento, sobre a proibição do uso de preservativo, proteção contra doenças sexualmente transmissíveis como a AIDS e contra a gravidez indesejada, o que seria positivo para religiões que não aprovam o aborto em nenhuma hipótese. Felizmente, a Igreja Católica, com o tempo, cede para evitar o abandono pelos fiéis. Cederá também quanto às pesquisas com células-tronco, como já cedeu no tocante aos transplantes de órgãos. As chamadas “guerras santas”, em que a Igreja invadiu povos que dizia “pagãos” para saquear bens e enriquecer o Vaticano foram absurdas, como absurdas foram as queimas de cientistas acusados de bruxaria nas fogueiras, condenados pela Inquisição na Idade Média.       

Persiste o absurdo do celibato na Igreja Católica, o que priva seres normais das benesses da vida sexual, levando muitos às perversões como a pedofilia, o que estamos cansados de saber a cada escândalo que explode na mídia. Isso é só o que aflora à tona do iceberg! Eu sou até bastante tolerante com os radicalismos, inclusive os relativos à ecologia, porque acho que os radicais prestam algum serviço ao atrasarem o ritmo da ciência para que a humanidade fique melhor preparada para o novo. Mas não posso pactuar com os absurdos que geram vítimas, como a menina da Somália, como as mulheres obedientes às ordens sacerdotais que pegam AIDS ou engravidam sem meios para sustentar e amar seus filhos.    



Escrito por Jerônimo Jardim às 23h11
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BAITA REDAÇÃO!

ANTES DE ENTRAR NO ELEVADOR, CERTIFIQUE-SE DE QUE O MESMO ENCONTRA-SE PARADO NESTE ANDAR (Lei Estadual 11.369 de 14.9.99).

Eu já era chato. Agora piorei. Mas o mundo me provoca. Analisem a redação da norma estadual afixada nas portas de acesso aos elevadores. Tento evitar a leitura cada vez que preciso usar elevador. “Antes de entrar no elevador”... Caso a porta abra sem o elevador no andar, só haverá o fosso por onde ele transita. “...o mesmo” é defeito de estilo a ser evitado a qualquer custo. “...encontra-se...”. A construção enclítica aqui é simplesmente pavorosa. “...parado no andar...”? Se o elevador estivesse em movimento, obviamente não estaria no andar. Só posso concluir que, em 1999, os revisores de projetos eram péssimos. Bem que os legisladores atuais poderiam dar nova redação à lei. É de doer! Não seria melhor algo como “Ao abrir a porta verifique se o elevador se encontra no andar”?     



Escrito por Jerônimo Jardim às 12h51
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DIREITO AUTORAL NA INTERNET

 

A Espanha correu na frente. Os jornais noticiaram que o Governo Espanhol vai “bloquear o acesso a sites que proporcionem a troca de arquivos protegidos por direitos autorais”. Não se voltaram contra os USUÁRIOS, mas contra os “prestadores dos serviços de informação que violem direitos de propriedade intelectual” (METRO, página 08, 03.01.12). Pelo meu pré-projeto os USUÁRIOS somente seriam responsabilizados na hipótese de o site estar bloqueado no País por não ter acertado o modo de retribuir direitos aos autores e os USUÁRIOS abrirem, receberem e compartilharem arquivos do site interditado enviados por outrem do exterior. Há horas avento o cristalino direito dos autores sobre suas obras, disponibilizadas na internet sem autorização. Volto-me à música, já que estamos organizados para a percepção de direito por um escritório central, o ECAD, mas vale para todo e qualquer tipo de criação. A internet é inclusão social certamente. As pessoas podem aprender e pesquisar na internet. Mas o conteúdo, seja ele didático, artístico ou cultural, alguém criou. Quem criou é o dono. Para democratizar remédios, os órgãos de saúde remuneram os laboratórios. Não há socialismo parcial. O socialismo seria somente dos direitos autorais? Os autores poderão socializar os produtos de consumo? As normas jurídicas vigentes garantem o direito, independente de novas, mais específicas. Devidamente acionada a Justiça, no caso dos autores musicais pelo ECAD, a resposta seria o ganho de causa. Os autores de dicionários já acertaram suas retribuições financeiras com os provedores. Os provedores criaram o sistema, eles e diversos sites ganham fortunas por disponibilizar conteúdos dos quais não foram autores. Remunerem os autores ou não disponibilizem as obras armazenadas. Já enriqueceram como os donos de terra com o trabalho escravo até findar o regime de escravidão. Está na hora de acabar a apropriação indébita na internet. Vamos seguir o exemplo da Espanha. Alguns perguntarão o porquê da minha luta por essa causa, enquanto se calam os maiores interessados, aqueles que estão sendo expropriados. Sou apaixonado pelo que é justo e de Direito. Por outro lado, deixando o quixotesco de lado, conheço os altos e baixos do sucesso, nunca se sabe qual nem quando uma canção cairá no gosto do povo. No presente, os maiores interessados seriam os compositores do gênero sertanejo. Mas todos os autores são beneficiários em potencial. 



Escrito por Jerônimo Jardim às 07h27
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CORAÇÃO – METÁFORA DESGASTADA

 

Talvez cheguem a milhões, sei lá, as criações poéticas, em todas as línguas, que se valem do coração para definir o amor. O coração é o nosso motor que funciona para bombear sangue a todos os órgãos, alimentar células famintas. Não sabe nada de amar. Quem ama é algum ponto do cérebro, aquele que nos dá personalidade, que nos dá consciência de existir, criar, filosofar, graças a seus informantes fiéis que são os sentidos e a fiação elétrica transmissora, nosso sistema nervoso. A única canção que conheço que usa o coração no sentido exato é Carinhoso, quando diz “meu coração bate feliz quando te vê”. As emoções alteram os batimentos cardíacos como um esforço físico. Podem até levar o dono do coração a óbito. Admite-se como metáfora. Como o coração é o nosso centro vital, quando se diz “te entrego meu coração”, é como dizer metaforicamente “te entrego minha vida”. “Conquistei seu coração”, é como informar a conquista de uma vida pela sua. Cansei. Prezo a originalidade. Ajudem-me a não usar mais desse tosco recurso poético. Denunciem, por favor. Obrigado.       



Escrito por Jerônimo Jardim às 21h28
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ARRANJO

O arranjo é a roupa da música. Para uma bela modelo, um mau figurino é um desastre. O bom arranjo é aquele que acresce, em vez de empanar o brilho da canção.  



Escrito por Jerônimo Jardim às 09h40
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FACEBOOK E BLOGUE

O Face me fez esquecer do blogue. Prometo não esquecer mais. Abraço a todos.



Escrito por Jerônimo Jardim às 09h39
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DINHEIRO: TER OU NÃO TER, EIS A QUESTÃO
“Muito dinheiro no bolso, saúde pra dar e vender”! A musiquinha da virada me trouxe boas e más lembranças. Em momentos alternados passei pedaços de tempo sofridos, angustiados, por falta de dinheiro. Quem tem encargos de família e quer permanecer honesto, com o nome limpo, sofre muito quando não dá nem pra atender às despesas básicas; quando diversão, um dos itens do bem-estar, vira a alegria do momento em que se consegue o mínimo necessário pra prosseguir. Indiscutível a importância da saúde. Mas é um alívio ter como enfrentar a doença com dignidade. Quem esteve à beira da falência financeira ou que precisou de consultas, hospitalização, remédios, sabe como é bom ter meios pro combate. Só quem nunca sofreu a falta de dinheiro pode dizer com sinceridade que ele não traz felicidade. É bem verdade que não compra a vida, mas só porque a vida é dela própria credora e devedora.  



Escrito por Jerônimo Jardim às 07h20
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ANIMAL DOMINANTE

 

Sei que a maioria vai desdenhar, considerar filosofia barata. Mas um ano e meio de solitárias reflexões, conferiu-me a consciência real do que sou, do que somos, nós, os humanos, muito mais do que tudo que li, nas melhores e nas piores obras. Uma coisa é ler que somos animais. Outra é finalmente perceber, sentir em profundidade, de forma nunca antes experimentada, até realmente saber que somos iguais aos de todas as espécies, brincalhões, festeiros e irreverentes quando filhotes, na vida adulta máquinas de comer, beber, defecar, poupar, fazer tocas, reproduzir, se exibir, se impor pelo poder, pela beleza, pelo talento. Não interessa que acessemos o espaço sideral, que encontremos sofisticados meios de comunicação, de plantar, colher, fabricar produtos de consumo, criar obras originais. Exclua-se das reflexões nossa qualidade de “caniço pensante”. Pensamos como gente civilizada, agimos em nossas disputas como os animais que nunca deixamos de ser. Isso é o que somos, animais da espécie dominante em árdua luta para levar para a toca a parceira, o parceiro ideal, a maior quantidade de bens que formos capazes de juntar, uns por meios legais, outros por meios ilícitos. Uns cantam, outros dançam, outros esculpem, outros escrevem, outros interpretam, outros trabalham para galgar os mais altos postos, outros constroem impérios. Os artistas no palco são mero reflexo dos truques de exibição, sedução e conquista praticados fora dele.       



Escrito por Jerônimo Jardim às 20h39
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ANO MÁGICO

 

Quando eu era guri, o Ano Novo era um desenho a colorir, misterioso, mágico. Nos tempos de colégio, vinham livros novos, cadernos com linhas em branco. As festas de fim de ano protagonizadas pelos adultos eram fascinantes, muita alegria, animação, comidas e bebidas, embora não aguentasse acordado até a hora da virada. Eis que a gente se encontra adulto no mundo, com tantos compromissos e carnês que passam para o outro ano! Começamos habituados com sua grafia. Por isso, calendário que se preza, traz as folhinhas do Ano Novo e do próximo.  



Escrito por Jerônimo Jardim às 16h38
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